Ginecomastia não é gordura: por que a academia não resolve e quando a cirurgia é indicada

Por: Dr. Diego Moura de Aguiar, Cirurgião Plástico · CRM 1263501 · Rio de Janeiro

Muitos homens treinam por anos tentando “secar o peito” e não entendem por que aquela região não muda. Como cirurgião plástico com dupla formação em cirurgia geral e plástica, vejo isso com frequência no consultório, e quase sempre a explicação é a mesma: o problema não é gordura, é ginecomastia. Estima-se que ela afete entre 40% e 60% dos homens em algum momento da vida, segundo especialistas ligados à Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). Neste artigo, explico o que é a ginecomastia, por que a academia não resolve e quando a cirurgia realmente é indicada.

Afinal, o que é ginecomastia (e por que confundem com gordura)?

Ginecomastia é o aumento do tecido glandular da mama masculina. Não se trata de excesso de gordura, e sim de crescimento da glândula, o que muda completamente o tratamento.

É comum confundir com a chamada pseudoginecomastia (ou lipomastia), que é o acúmulo de gordura na região peitoral sem aumento de glândula. As duas podem parecer iguais por fora, mas têm causas diferentes e pedem condutas diferentes. Por isso, o primeiro passo é sempre uma avaliação que identifique o que predomina em cada caso: glândula, gordura ou os dois juntos.

Por que academia e dieta não resolvem a ginecomastia?

Porque treino e dieta atuam sobre a gordura, e não sobre a glândula. Quando o aumento vem do tecido glandular, você pode emagrecer, definir o corpo inteiro e ainda assim manter o volume na região do peito, já que a glândula não regride com exercício.

Essa é a origem da frustração que eu mais escuto de pacientes homens: anos de academia, resultado no corpo todo, menos ali. Entender essa diferença costuma ser um alívio, porque mostra que o incômodo não vem de falta de esforço. É uma questão estrutural, e ela tem solução específica.

O que causa a ginecomastia?

As causas mais comuns são alterações hormonais (principalmente o desequilíbrio entre testosterona e estrogênio), uso de certos medicamentos e anabolizantes, fatores hereditários e algumas condições clínicas. Em parte dos casos não se identifica uma causa aparente.

A ginecomastia costuma aparecer em três fases da vida: no recém-nascido, na adolescência e na fase adulta. Boa parte dos casos da adolescência regride sozinha em até dois anos. Quando persiste além disso, dificilmente desaparece sem tratamento, e é aí que a avaliação especializada faz diferença.

Ginecomastia tem grau? Como muda o tratamento?

Sim, a conduta depende do grau, e a avaliação individual define qual técnica se aplica. De forma simplificada:

  1. Grau leve (só glândula): correção por uma pequena incisão na borda da aréola, por onde a glândula é removida. Costuma não haver excesso de pele, e a cicatriz fica bem discreta.
  2. Grau moderado (gordura mais glândula): além de retirar a glândula, associa-se a lipoaspiração da região para refinar o contorno.
  3. Grau avançado (com excesso de pele): quando há flacidez importante, pode ser necessário remover também o excesso de pele, o que amplia um pouco a cicatriz.

Quando existe uma causa reversível por trás do quadro, o caminho pode começar por tratá-la antes de pensar em cirurgia.

Como é a cirurgia de ginecomastia?

A cirurgia de ginecomastia é um procedimento bem estabelecido, com bom índice de satisfação quando realizado em ambiente hospitalar adequado. Costuma durar entre uma e duas horas, sob anestesia geral ou sedação com anestesia local.

A técnica combina, conforme o caso, a lipoaspiração da gordura e a retirada da glândula, geralmente por uma incisão na borda inferior da aréola, o que ajuda a manter a cicatriz camuflada no contorno natural. O objetivo é devolver um contorno masculino ao tórax, respeitando a anatomia de cada paciente.

Como é a recuperação?

Depende do grau e do organismo de cada um, mas alguns pontos valem para a maioria. Costuma-se usar uma malha compressiva por cerca de 30 dias, que ajuda a controlar o inchaço e a modelar a região. A drenagem linfática pode ser indicada para acelerar o desinchaço. Atividades físicas mais intensas costumam ser liberadas em torno de 60 dias, sempre com autorização médica.

A cicatriz, como em qualquer cirurgia, existe. No começo fica mais avermelhada e, com os cuidados certos, tende a amadurecer e ficar discreta ao longo de meses, às vezes até um ano. Nenhuma cirurgia deixa o corpo sem marca, mas o bom posicionamento faz a cicatriz passar despercebida.

Quando procurar um especialista (e quando ainda não é hora de operar)

Vale procurar avaliação quando o aumento das mamas incomoda, persiste e não muda com treino nem com perda de peso. Na consulta, o papel do cirurgião é identificar a causa, definir se predomina glândula ou gordura e avaliar o grau.

Na minha prática, nem todo caso é cirúrgico de imediato. Quando existe uma causa clínica ou um medicamento por trás do quadro, o primeiro passo pode ser investigar e tratar isso. Falar sobre isso faz parte de um bom atendimento, porque a melhor cirurgia é a que é indicada na hora certa.

Perguntas frequentes sobre ginecomastia

Dá pra resolver ginecomastia na academia? 

Se o aumento vem da glândula, não. Treino e dieta reduzem gordura, mas não eliminam o tecido glandular. Só a avaliação define o que predomina no seu caso.

A ginecomastia volta depois da cirurgia? 

Uma vez removida, a glândula não volta a crescer. Ganho de peso ou uso de certas substâncias podem trazer gordura à região, por isso manter o resultado também depende do estilo de vida.

A cicatriz fica aparente? 

Ela costuma ficar na borda da aréola, o que a deixa bem disfarçada. Toda cicatriz existe, mas nessa técnica ela tende a ser discreta com o tempo.

Todo aumento de mama no homem é ginecomastia? 

Não. Pode ser acúmulo de gordura (pseudoginecomastia) ou aumento glandular verdadeiro. O tratamento muda conforme o caso.

Ginecomastia é perigosa? 

Na maioria das vezes é benigna. Ainda assim, um aumento novo ou assimétrico merece avaliação médica para investigar a causa.

Com quanto tempo volto a treinar? 

Atividades leves em algumas semanas e treino intenso em torno de 60 dias, sempre conforme a liberação do seu cirurgião.


Aviso importante: Este artigo tem caráter informativo e educativo. As informações aqui apresentadas não substituem a consulta médica individualizada. Para diagnóstico, tratamento e orientações específicas para o seu caso, consulte sempre um médico especialista.


Sobre o autor

Dr. Diego Moura de Aguiar é cirurgião plástico, CRM 1263501/RJ, com atuação no Rio de Janeiro (Av. Epitácio Pessoa, 2566). Além de especialista em cirurgia plástica, acumula quase 10 anos de experiência em cirurgia geral, base que diferencia sua capacidade técnica para casos complexos e imprevistos cirúrgicos. Com índice de complicações consistentemente baixo e uma abordagem que coloca a honestidade nas expectativas acima de qualquer interesse comercial, oferece um modelo de atendimento centrado no resultado real e na transparência com cada paciente.

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