Por: Dr. Diego Moura de Aguiar, Cirurgião Plástico · CRM 1263501 · Rio de Janeiro
“Prótese acima ou abaixo do músculo?” é uma das dúvidas que mais chegam ao consultório de quem pensa em colocar silicone. A resposta costuma frustrar quem quer uma fórmula: depende de você. Como cirurgião plástico, escolho o plano do implante conforme a anatomia de cada paciente, e não por uma preferência fixa. Neste artigo, explico as diferenças entre os planos (subglandular, submuscular e dual plane), as vantagens e as limitações de cada um, e o que realmente decide qual é o melhor para o seu caso.
Quais são os planos de colocação da prótese?
Plano é o nome que damos ao espaço onde a prótese é posicionada em relação ao músculo peitoral e à glândula mamária. Existem três principais:
- Subglandular: a prótese fica à frente do músculo e atrás da glândula (por cima do músculo).
- Submuscular: a prótese fica atrás do músculo peitoral (por baixo do músculo).
- Dual plane: uma técnica parcial, em que a parte de cima da prótese fica sob o músculo e a de baixo, sob a glândula.
Cada um tem indicações diferentes conforme a pele, o tecido mamário e o resultado desejado.
Prótese acima do músculo (subglandular)
No plano subglandular, a prótese fica atrás da glândula e à frente do peitoral. A principal vantagem é a recuperação mais rápida e menos dolorosa, já que o músculo não é manipulado, além de um destaque maior no colo.
A limitação aparece em mulheres muito magras ou com pouco tecido mamário: sem uma boa cobertura, as bordas da prótese podem ficar visíveis ou palpáveis, e o resultado tende a parecer menos natural. Por isso, esse plano costuma ser indicado para quem já tem algum volume mamário próprio.
Prótese abaixo do músculo (submuscular)
No plano submuscular, parte da prótese fica coberta pelo músculo peitoral. Essa cobertura extra é vantajosa justamente para quem tem pele fina ou pouco tecido, porque disfarça as bordas do implante e dá um aspecto mais natural ao colo. Costuma ainda ter menor risco de contratura capsular, que é o endurecimento da cápsula ao redor da prótese.
Em troca, a recuperação tende a ser mais lenta e mais dolorosa nos primeiros dias, porque o músculo precisa se adaptar. Em pacientes muito ativas ou atletas, a contração do peitoral pode movimentar a prótese em certos esforços, o que também entra na avaliação.
Dual plane: o meio-termo mais usado hoje
O dual plane, ou plano duplo, é uma técnica submuscular parcial que busca reunir as vantagens das outras duas. A parte superior da prótese fica sob o músculo, o que dá cobertura e naturalidade ao colo, enquanto a parte inferior fica sob a glândula, o que permite projetar o polo inferior da mama de forma mais arredondada.
É uma opção versátil, que em alguns casos ajuda a corrigir uma leve queda da mama sem necessidade de mastopexia, e que tende a reduzir o risco de deslocamento e de contratura. A recuperação costuma ser mais tranquila que a da submuscular pura. Por esse equilíbrio, é um dos planos mais utilizados atualmente.
Afinal, qual é o melhor plano?
Não existe um plano melhor para todas. Existe o melhor para o seu caso, e é isso que a avaliação define. Alguns fatores pesam nessa escolha:
- Quantidade de tecido mamário e espessura da pele: quanto menos tecido próprio, mais o plano com cobertura muscular tende a fazer sentido.
- Grau de queda da mama: alguma flacidez pode direcionar para o dual plane ou para a associação com a mastopexia.
- Estilo de vida: atividade física intensa entra na conta.
- Resultado desejado: mais projeção no colo ou um aspecto mais natural e discreto.
Na minha prática, quando alguém pede uma resposta pronta antes mesmo do exame, eu explico que ela não existe sem avaliar a mama de perto. Escolher o plano é uma decisão técnica, tomada em conjunto, e não uma preferência de catálogo.
E a recuperação, muda conforme o plano?
Sim, um pouco. De forma geral, o plano subglandular costuma ter a recuperação mais rápida e menos dolorosa, porque não mexe no músculo. O submuscular tende a ser mais desconfortável nos primeiros dias. O dual plane fica num meio-termo, geralmente mais tranquilo que o submuscular puro.
Em todos os casos, o retorno às atividades é gradual e depende do ritmo de cada organismo. O acompanhamento em cada fase é o que garante segurança e um bom resultado, seja qual for o plano escolhido.
Perguntas frequentes sobre o plano da prótese
Qual plano dói mais na recuperação?
Em geral, o submuscular costuma ser o mais desconfortável nos primeiros dias, porque o músculo é manipulado. O subglandular e o dual plane tendem a ser mais tranquilos, mas a dor varia de pessoa para pessoa.
Qual plano fica mais natural?
Depende do seu tecido. Em mulheres magras ou com pouca mama, a cobertura do submuscular ou do dual plane costuma dar um resultado mais natural. Quem já tem volume pode ter um bom resultado também no subglandular.
Sou magra e tenho pouca mama. Qual costuma ser indicado?
Nesses casos, os planos com cobertura muscular (submuscular ou dual plane) costumam ser preferidos, para disfarçar as bordas da prótese. A avaliação confirma.
Faço musculação. O plano muda alguma coisa?
Pode. No submuscular, a contração do peitoral pode movimentar a prótese em alguns esforços. Isso é discutido na avaliação, principalmente para quem treina pesado.
Dá pra corrigir a queda da mama só com a prótese?
Uma queda leve às vezes melhora com o dual plane. Quando a flacidez é maior, costuma ser necessário associar a mastopexia (levantamento).
Qual plano tem menos risco de contratura capsular?
Os planos com cobertura muscular, como o submuscular e o dual plane, costumam ter menor risco de contratura em comparação ao subglandular, embora vários fatores influenciem.
Aviso importante: Este artigo tem caráter informativo e educativo. As informações aqui apresentadas não substituem a consulta médica individualizada. Para diagnóstico, tratamento e orientações específicas para o seu caso, consulte sempre um médico especialista.
Sobre o autor
Dr. Diego Moura de Aguiar é cirurgião plástico, CRM 1263501/RJ, com atuação no Rio de Janeiro (Av. Epitácio Pessoa, 2566). Além de especialista em cirurgia plástica, acumula quase 10 anos de experiência em cirurgia geral, base que diferencia sua capacidade técnica para casos complexos e imprevistos cirúrgicos. Com índice de complicações consistentemente baixo e uma abordagem que coloca a honestidade nas expectativas acima de qualquer interesse comercial, oferece um modelo de atendimento centrado no resultado real e na transparência com cada paciente.



